sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Pobre Lucia (de Alma Welt)

Uma noite, após tomar meu caldo
Flagrei a meiga Lúcia sem malícia
No quarto ser fodida sem carícia
Pelo seu marido o vil Geraldo.

E vi a branca, linda bunda da guria
Ser estuprada por um pênis gigantesco
Que causava muchocho algo grotesco
Pois, de quatro, em dor ela gemia.

Eu quis entrar e bater nesse vilão
Que sujeitava a minha irmã à condição
De cadela toda noite havia anos...

Mas, o quê pude, depois de questioná-la?
Até hoje lembrar disso me abala:
Ajoelhei e beijei seu pobre ânus!

(Alma Welt)


Nota

Tudo isso é verdade, infelizmente, aconteceu mesmo, e foi nesse dia que começou a minha "reeducação" sexual pela Alma, e entrei numa fase maravilhosa de sexo com minha irmã, que me ensinou os seus segredos e me libertou. E lembrem que ela era mais nova do que eu!
É demasiado patético o episódio, e só o mostro aqui por curiosidade e para os leitores constatarem o grau de compaixão verdadeira de minha irmã, a divina Alma...
(Lucia Welt)

Sonho eleito (de Alma Welt)

(129)

Meus passados amores, imagino
Que ainda estão comigo e em paixão,
Mayra, Andrea, Vânia, Gino
Que tanto prazer ainda me dão!

Pois cada noite eu escolho o meu par
E conduzo o sonho até o gozo...
E como rende o enlace amoroso,
De mil ângulos a me fazer gozar!

Às vezes eu os junto no meu leito
E produzimos aquela grande orgia
Como só possível em fantasia,

E no final exausta e satisfeita,
Na confusão da cama já desfeita
Me entrego afinal ao sonho eleito.

09/07/2006

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Passando em revista (de Alma Welt)

(128)

Quisera repassar os meus amores
Em revista como uma generala
Picaresca, é claro, com tambores,
Continência, farda, toda em gala.

Mas eu os poria assim pelados,
Para lembrar de seus corpos amados
E da nossa louca incontinência
Que não conhecia resistência

E que era a marca escolhida
De nossa juventude desvairada
Que tudo apostava, de saída.

Ah! Como ainda gozo em recordar
Daquele ardente desejo a fisgada
E o rios que corriam para amar!

14/09/2006

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Origens de família (de Alma Welt)


Esta tela, de sua frase abstracionista, óleo s/ tela, de 2007, de 90x120cm, sem título, foi a última pintada pela Alma poucos dias antes de morrer.
(127)

Origens de Família (de Alma Welt)

A mim, pela avó Frida foi contado
Que a nossa estirpe era improvável,
Pois de um lado havia um condestável,
De outro um campônio do condado

Que na verdade era um filho do nobre
Mas espúrio pois nascido pelo rabo
E por isso fora dado como um nabo
A uma camponesa muito pobre.

E eu, que era guria, na inocência
Ficava imaginando aquele parto
Da estória picaresca, e não descarto

Possa estar nela a raíz do meu humor,
Mas mais provavelmente a retro-ardência
Que me faz querer sentir aquela dor.

01/12/2006

domingo, 26 de agosto de 2007

Violada (de Alma Welt)

(126)

Quando eu passeava na floresta
Com ares de pequena camponesa,
Atrás de cogumelo ou framboesa
Para voltar pra casa toda em festa

Não me dava conta do perigo,
Pois ali, uma tarde, o inimigo
Me imporia cruel violação
Sem que me coubesse reação

Senão chorar e impotente suplicar,
Desnudada e brutalmente penetrada,
Duplamente, aberta, conspurcada.

Depois fui encontrada a vagar
Louca, esfarrapada, a claudicar,
E a quem só restou ser internada.

6/01/2006

Nota da editora:

Fiquei imensamente chocada com este soneto, que a rigor não se encaixa no gênero erótico, por ser doloroso, patético e até constrangedor. Não sei se a Alma o poria aqui. Mas como ela tinha o hábito e a coragem de contar tudo, absolutamente tudo de sua vida em poesia, resolvi afinal publicá-lo. Quando o que ela contou aqui aconteceu, depois de a procurarmos para o almoço, pois estava atrazada, a encontramos no bosque, perdida, com o vestido em farrapos, os seios e as coxas expostos e arranhados, vagando naquelas condições, como se estivesse louca. Não falava coisa com coisa, e desolados e aflitos nós a pusemos no carro dirigido por Galdério e fomos interná-la numa clínica conhecida em Alegrete, onde ela chegou tão agitada que tiveram que lhe ministrar um "sossega leão" que a fez dormir por 24 horas. Diante dos vísíveis sinais de violência a médica e psiquiatra da clínica procedeu a exames íntimos em minha irmã que constataram o estupro. Essa médica era a querida doutora Jensen, que se tornaria nossa grande amiga. O estuprador, depois ficou provado, era o meu ex-marido, Geraldo, que sempre cobiçara Alma, e que se revelou um bandido e um assassino. Tudo foi contado depois pela Alma no seu romance A Herança. (Lucia Welt)

Debaixo da minha macieira (de Alma Welt)

(125)

Debaixo da minha macieira
Fui por meu irmão desvirginada
Embora quase assim de brincadeira
Como se a primeira vez não fosse nada.

Mas meu lindo sacaninha endiabrado
Quis conferir depois o outro lado
E me propôs brincar de cachorrinho
Para conhecer o outro furinho.

E foi então que fomos surprendidos,
No que chamou "incesto de Sodoma"
Pela Mutti, debaixo de um tapona,

E lembro que por um segundo ou mais
Apertei-o tanto ali por trás
Que ao lembrar nos pomos comovidos...

28/12/2006

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Alma Louca (de Alma Welt)

(124)

Acordei de noite em grandes ânsias
De desejo incontido e rebelado
Por um sonho nítido e melado
Que me pôs em fogo as reentrâncias

E então subi até a mansarda
E joguei-me nos braços do meu Rôdo,
Dizendo-lhe: "Sou eu que hoje fodo,
Põe-te ao meu comando e baixa a guarda!"

Então, molhada que já estava,
Sentei no seu colo e, empalada,
Subindo e descendo revesava

Minhas duas boquinhas sequiosas
Que o ordenhavam e punham ensopada
Sua parelha de prendas côr-de-rosas...

28/09/2006

Desafio (de Alma Welt)

(Para ser lido com sotaque luso (risos)(AW)

(123)

Quero esta noite ser fodida
Como uma cadela em pleno cio,
Me desculpe o leitor o desafio
Na primeira estrofe, de saída.

Então pense logo em minha concha
Do mais puro nácar já molhada
Pelo olhar da platéia ou peonada
Que sonha meter-me a deixar troncha,

Aberta, arrombadita e devassada,
Pra depois atirar-me escorraçada
Como uma cadela em plena rua...

E quando te afastares, meu leitor,
Logo quererás que eu seja tua
Novamente, para então "fazer amor".

24//05/2006

Eu e o Malho (de Alma Welt)

(122)

Uma vez meu irmãozinho me levou
Até a sua mansarda quase a muque,
Ele dizia que aprendera novo truque
E que eu gostaria desse show.

Antes não precisava tal pretexto
Pois eu não me fazia de rogada
Até o dia em que me pôs descadeirada
De tanto que me fez reler um texto

De quatro, pelada, no assoalho
Onde escrito em letras bem pequenas
(o que eu bem fizera a duras penas).

Mas, então, nesse dia me mostrou
Um vídeo pornô luso: "Eu e o Malho",
Que me fez rir o quanto me enrabou.

28/08/2006

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Alma Welt como deusa germânica (óleo s/ tela de Guilherme de Faria, de 60x50cm)

Peão Negro (de Alma Welt)

1

Havia um peão aqui na estância
Negro como a noite minuana,
Mas ardente e vivo como a infância,
E que era um pau pra qualquer xana.

Na verdade não, só para as tais,
Muito fundas e largas qual gamelas
Denunciando já por suas canelas
Suas bucetas que são como portais.

E justo esse portento me pegou
No bosque, quando, intruso, me flagrou
Pois agachada, em volúpia, eu urinava.

E jogando-me no solo, mas de quatro,
Meteu-me atrás a tora, sem um trato,
E também como portal me inaugurou...



2
Peão negro, retinto e azulado
Que ousaste esta Alma ter tocado
Não por minha brancura impossível
Mas por ser tua patroinha inacessível

Pulando o que seria um grande fosso
E tendo me encontrado vulnerável
A fazer um xixi muito agradável
No meio do bosque antes do almoço

Por trás me empurraste para o solo
E antes que eu pudesse levantar-me
Entraste até o fundo em minha carne

De uma maneira afoita e tão doída
Que tiveste de carregar-me ao colo
Logo após, como uma recém-parida.



3
Me levaste, peão negro, bosque a dentro
Já que eu não podia caminhar
Pois me acabaras de arrombar,
Por trás, do equilíbrio sem o centro.

E então, numa clareira mais ao fundo
Me puseste de quatro novamente
Para olhar o que deixaste imundo,
Rubro ralo vazando docemente.

Então, não resistindo reincidiste
E ficaste chafurdando com estrépito
Tirando e pondo o grande falo em riste

Até que, assim aberta e inundada
Deixaste-me ali, qual ser decrépito,
Nua e suja, em sangue... violada.



4
Voltei cambaleando ao casarão
A escorrer aquele caldo pelas pernas,
Esfarrapada e a sentir-me qual vulcão
Aberto, a vomitar brancos espermas.

E caindo de borco na varanda
Fui acudida pela pobre da Matilde
Me cobrindo de censuras como manda
O costume de sua casta humilde.

“Bah! Eis o que levas, ó guria,
Por seres assim não recatada
E saires por aí meio pelada!”

“Agora ficarás para titia
Pois não terás mais homem que te queira
Como noiva e mulher, selada, inteira!”



5
O peão negro que um dia me pegou
Queria me alargar mas não largar,
E eu não podia pelo prado mais andar
Sosinha, pois o pobre viciou.

E logo me fodia a toda hora
No bosque, na cascata e no galpão
Enterrando-me a sua imensa tora
Na frente e atrás sem mais perdão.

E assim eu já andava claudicando
Com as pernas muito abertas e sangrando
Como em dias de minha menstruação.

E meu pobre ânus... arrombado,
Já não segurava, o coitado,
A carga que era a sua obrigação.



6
E assim tornei-me escrava do peão
Negro como negra é a noite escura
Mas não com o amargor da escravidão
Mas com negros laivos de doçura

Pois que me agradava sujeitar-me
A todos os caprichos do seu charme
Negro como as negras brincadeiras
De ir comendo antes pelas beiras

Pois gostava de lamber seios e lábios,
Os de cima, os de baixo e o botão perto
Em que metia a língua em toques sábios

E logo abrindo bem a minha bunda
Até ver que me punha o cu aberto,
Mais gostando se me encontrava imunda.



7
Um dia novamente fui flagrada
Desta vez pelo negrinho seu irmão,
Quando este me viu sendo empalada
Pelo negro mastro do peão,

Justo no momento de esguichar
Dentro do meu ventre o creme branco
Não faltando nem o lance de mijar
Dentro do meu cu e aquele tranco

Com que retirava após cavar,
Num estalo e golpe súbito, conforme
A visão que queria desfrutar.

Desta vez foi o negrinho quem desfruta
A visão da fonte espúria e enorme,
A jorrar de mim como uma gruta.



8
Assim tornei-me a puta de um peão
Bah! Que doce me sentir assim tão puta
Sabendo que o machão que me desfruta
Era um solitário c'um irmão

E assim não iria alardear
Pois apenas o negrinho nos flagrara,
Exigira a sua parte e então calara
E agora eram dois a revezar.

E tanto agora os dois me disputavam
Que eu era uma cadela o tempo todo
A dar como uma puta que pagavam

Mas somente em visões oferecidas,
Um ao outro dizendo: “Agora eu fodo,
E tu ficas com as sobras recolhidas.”



9
Foi assim que no bosque me encontraram
Naquele dia, rasgada e a vagar
Delirante, os seios nus, que arranharam,
E minhas coxas de tanto me ralar,

Rodo e Galdério me agarraram
E me levaram a Alegrete pra internar,
O que só protestei quando chegaram
Dois negrões, desta vez pra me dopar.

Seminua, amarrada e sem Descartes
Acordei afinal muito obumbrada
E sendo examinada em minhas partes

Mais aberta, invadida, estuprada,
Agora por colheres e espéculos
Em sessões que pareciam durar séculos!



10
E depois o veredito: violada!
Bah! Que novidade, não sabia...
Esperava tão somente a rodada
Que cabia aos negrões que ali havia,

Que eram os enfermeiros e um vigia
E também um interno gigantesco
Com seu jeito de mostrar, meio grotesco,
O que no seu pijama nem cabia.

Mas, bah! com a chegada da doutora
Jensen, minha doce salvadora,
Retomei minha vida como gente,

Pois agora eu seria bem cuidada
Por dentro como ser inteligente
E por fora como filha muito amada...

FIM


Nota
Estarrecida encontrei recentemente este ciclo de sonetos da Alma, totalmente inédito e desconhecido, que afinal explica as razões de a termos encontrado em deplorável condição vagando no bosque, esfarrapada e cruelmente arranhada, quando então foi por nós internada numa Clínica em Alegrete, em Dezembro de 2005, onde foi diagnosticada como esquizofrênica e ninfomaníaca, o que me fez de saída desconfiar desses diagnósticos que me pareceram equivocados ou arcaicos, ultapassados. Alma ali, creio que por sua extraordinária beleza, também foi assediada por uma atendente ou secretária que fazia chantagem sexual com minha irmã para deixá-la usar o computador (descobri isso na correspondência da Alma com Andrea). Fica aqui o meu protesto. Até o momento do encontro desta escabrosa narrativa em sonetos, a que Alma, em vão (a meu ver) procura dar um tom humorístico, embora tenha logrado o tom erótico (reconheço) eu desconhecia as causas e os responsáveis pelo estado em que ela foi encontrada. É verdade que o médico que a examinou constatou estupros repetidos. É preciso que se diga que o "peão negro" e seu irmão foram despedidos por Rodo pouco depois da internação da Alma, mas Rodo nunca falou sobre o assunto comigo ou com ninguém e eu nem sequer dei importância àquelas demissões, nem relacionei os fatos. Pobre irmãzinha, se não fosse a abençoada doutora Jensen... (Lucia Welt)

Alma Welt


Desenho de Guilherme de Faria para o qual Alma posou em 2001 no seu ateliê em Sâo Paulo.

Nas estradas do meu Pampa (de Alma Welt)

(121)

Muito por meu Pampa já vaguei
Embora isto pareça pura prosa.
Foi quando da Clínica me esgueirei
Fugindo pr'uma estrada perigosa

Em que pouca gente boa se aventura
Mas em que pretendi tomar carona
Vestida como estava c'uma lona
De brim, como um saco, sem cintura.

O chinelo ao atirar na rodovia,
Acabei recolhida por primeiro
Por um que era um mau caminhoneiro

E que agarrou e abusou desta guria
Mas em quem dei "joelhaço" bem certeiro,
Quando a viola em cacos já se via...

29/12/2005
Nota da editora:

Neste estranho soneto, que seria doloroso e patético se não contivesse uma nota humorística típica dela, minha irmã espantosamente revela, se bem o entendo, que foi estuprada por um caminhoneiro, numa estrada em pleno pampa, ao tentar pegar uma primeira carona depois de fugir da clínica em que estava internada. Muito femininamente ela se refere a detalhes como o camisolão informe das internas, e as infames chinelas que eram obrigadas a usar e que ela atirou na pista ficando descalça. A beleza da Alma era perigosa para ela, e a fazia visada. Ela se referiu a este episódio de sua fuga numa das cartas a Andrea, com quem se correspondia na época, por e. mail. Na carta ela conta que deu um "murro na cara" do violador, o que acho menos provável que este "joelhaço", e que pulou da boléia e correu pela pista, até que o motorista, saltando também, deu um tiro para cima para assustá-la. Na carta a pobre Alma ainda conta que, de medo e susto fez xixi de pé, pelas pernas abaixo, e continuou andando e chorando pela estrada, ouvindo a gargalhada daquele vilão, que religou o caminhão e passou por ela, seguindo em frente. Essas peripécias da Alma e seus sofrimentos nos confrangiam, doíam muito, sem que pudéssemos protegê-la de si mesma e do mundo. (Lucia Welt)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Memórias do sótão (de Alma Welt)

(120)

De noite eu subia no seu quarto
Ouvindo do vazio aquele estalo.
Meu irmão fora exilado no Internato
Pois a Mutti decidira apartá-lo

De mim, que no seu catre de pinho,
No sótão solitário do ausente
Deitava encostando o narizinho
Para aurir nos lençóis seu corpo quente.

E então chorava muito, me lembrando
Dos seus lábios, do corpo e sua posse
Que de forma tão cruel me foi negada.

E adormecia então já bem molhada
Por estar nos seus lençóis e recordando
A glória de ser fêmea tão precoce...

15/01/2007

A vitela (de Alma Welt)

(119)

Entre minhas lembranças da infância
Está aquele dia inusitado
Em que no prado e à distância,
Fui laçada e derrubada feito gado

Pelo meu irmão que quis mostrar
Que havia aprendido a laçar:
Enroscada pelos pés me vi caída,
Nem assim querendo dar-me por vencida.

Mas com o laço amarrou-me bem veloz
As mãos como se fora uma vitela,
Levantando meu vestido até a costela,

E estando eu de quatro como rês
Rasgou-me a calcinha pelo cós...
Haja soneto pra contar o que ele fez!

03/09/2006

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Bucolismos (de Alma Welt)

(118)

Uma vez, guria, vi um touro
Cobrir uma vaquinha muito terna,
E percebi um sutil abrir de perna
Para facilitar aquele estouro

Que na verdade entrou como uma luva
E despejou um rio em sua entranha,
Enquanto eu me via um tanto estranha
A pensar em minha própria vulva

Que seria um dia adentrada
Como uma posta de carne devassada
E que era a feminina condição,

Sermos feitas pra isso, e espantoso:
Um belo e puro cálice carnoso
Para a crua e pertinaz penetração.

20/11/2006

domingo, 19 de agosto de 2007

Ardências (de Alma Welt)



(117)

Pelas sombras do bosque eu caminhava
Numa bela manhã de primavera
E logo, de repente, eu precisava
Agachar pro xixi como se espera

De guria em longa saia, até estranha,
Pois eu vira os guris nos seus concursos
De mijar mais longe, e sem recursos
Eu andara a experimentar essa façanha.

E foi quando um raminho de urtiga
Tocou minha rachinha e foi um custo
Pois que o ardor subiu pela barriga,

E hoje, já tão longe desses tempos,
Eu atribuo a essa ardência e o seu susto,
Meus desejos, aventuras, contratempos...

18/11/2006

sábado, 18 de agosto de 2007

Alma Welt, Grande Nu Germânico ( pintura de Guilherme de Faria)

Encomenda (de Alma Welt)

(116)

Penetre-me meu amor a minha fenda
Mas jaza calmo e quedo logo então
Para eu sentir a encomenda
Palpitando como um doce coração,

Em seguida ir vazando lentamente,
No sentido antigo mesmo, literal,
Para eu assim parir-te docemente
Com a baba qual cordão umbilical.

E então estando cheio de energia
E melado qual houveras explodido
Poderás penetrar-me o incomprendido,

Estreito botão róseo detratado,
Que tem a preferência do mercado
Sem que o reconheça a hipocrisia.

07/12/2006

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Eros e Psiqué


Desenho de Guilherme de Faria que ilustra a capa do livro "Contos da Alma", de Alma Welt, publicado pela Editora Palavras & Gestos, e à venda nas livrarias de São Paulo, bem como através da Internet.
A Psiqué do desenho é um retrato da Alma, para o qual ela posou para o artista.

O Estupro (de Alma Welt)

Estava eu chegando ao casarão
E avistava já nossa porteira
Quando por trás de mim veio o peão
E jogou-me de borco na poeira.

Rasgou brutalmente o meu vestido
E deixou-me esfarrapada e exposta
Me olhando com um olho pervertido
Como se carne eu fora... mera posta.

A entrar e sair enquanto olhava
Pardo caldo a brotar da cavidade,
Vulcãozinho a escorrer a sua lava,

Agora rubro o antes meu rosado anus
Que arrombou com seu pênis, sem piedade,
Sem saber que era dia dos meus anos...

A tentação da Alma (desenho de Guilherme de Faria)

O Pacto (de Alma Welt)

(115)

Pelos escuros corredores da mansão
Virás hoje de noite, eu bem sei,
Pois me olhaste, percebi, com intenção,
E tudo comprendi e... aceitei.

Entre presa e predador existe um pacto
Mudo, ancestral, perturbador.
Pois deixarei que me pegues com ardor
E me dês, como se diz, "aquele trato"

Que consiste em me usares e abusares,
Colocar-me em improváveis posições,
Devassares-me os mais íntimos rincões.

E eu deixarei, feliz, tu me melares,
Como fora minhas próprias oferendas
A escorrer de amor por minhas fendas...

05/01/2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Tramas da Noite (de Alma Welt, e desenho de Guilherme de Faria)


(114)

Esta noite deixarei a porta aberta,
Estarei nua a fingir estar dormindo:
É verão e não preciso de coberta,
Poderás observar meu corpo lindo.

Teu olhar eu sentirei, de olho fechado,
Sobre a minha anca contemplada,
Sobretudo a minha concha nacarada
Que exponho por estar meio de lado.

Fluindo como riozinho humilde
(mas que que somado ao creme masculino
dará muito trabalho pra a Matilde...)

Sob o fogo mesmo desse olhar
Deixarei a vulva abrir e desaguar
Lentamente o sumo cristalino...

14/12/2006

Profissão de Fé (de Alma Welt, e desenho de Guilherme de Faria)


(113)

Nestes tempos de profunda decadência,
De "cultura de massa", assim chamada,
Que não passa de anal incontinência
E de vil vulgaridade divulgada,

Eu continuo a resistir heroicamente
Buscando beleza e qualidade
Na arte e no erotismo propriamente,
Que nada tem a haver com sujidade...

E construo minha própria Renascença
Rejeitando só o tom de um Aretino*
Por achá-lo mau pornô e mui cretino.

Assim, quando repasso o itinerário
Percorrido, confirmo a minha crença
No valor do meu texto temerário.

19/12/2006

Notas da editora:

Sonetos como esse confirmam a lucidez da Alma a respeito de seus textos eróticos, que ela restaurou à categoria de grande Arte, por achar o gênero até então aviltado pela malícia masculina, fruto, segundo ela, da consciência infeliz herdada do cristianismo. Os poetas consagrados que se dedicaram ao gênero, como José Maria du Bocage (século XIX) e Pietro Aretino (século XVI), escreveram sonetos eróticos que na verdade eram meramente pornográficos, embora tecnicamente engenhosos. Apezar de grandes poetas, o que eles escreveram neste gênero, equivale ao mais baixo pornô do século XX, com aquela mesma visão machista, rebarbativa, e pejorativa do sexo, que se pode ver nos videos pornôs das locadoras do nosso tempo.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Juizos de guri (de Alma Welt)

(112)

Meu irmãozinho pediu-me pra agachar
E ficar de quatro sem calcinha,
Pois queria que queria me olhar
Por trás para ver minha pombinha

Do ângulo que parece um coração
E com que dizia ter sonhado,
E que assim permitiria a opção
De evitar o portão mais apertado.

Mas então ele me disse ser preciso
Trabalhar e cumprir dupla jornada
Pra fazer afinal um bom juizo.

Então, eu, paciente e encantada,
Pensei, duplamente experimentada:
"Meu guri sempre teve muito sizo..."

16/12/2006

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Quando guria... (de Alma Welt)

(111)

Quando guria eu vi nosso pampeiro
Imenso desdobrar-se mais escuro
Num relincho com um mastro semi-duro
Apontado contra o solo do terreiro,

E então diante do meu olhar pasmado
Despejou a sua carga sobre o chão
Num lago viscoso e perfumado
Enquanto eu sentia um comichão,

O primeiro talvez de que me lembro,
Pois bem vira onde tivera sua guarida
Aquele avantajado e negro membro

Porquanto ao segurá-lo qual mangueira
Galdério o enterrara na trazeira
Da minha pobre egüinha Margarida.

11/01/2007

sábado, 11 de agosto de 2007

A última vez (de Alma Welt)

(110)

Esperei-te além do meu limite,
Eu que mal o tenho, na verdade,
Dirigi-me ao teu quarto sem convite,
E meti-me no teu leito com vontade.

Estava eu nua e tu um pouco tonto:
O teu mastro somente semi-pronto,
Tive que pegá-lo com prazer
Para conduzí-lo ao seu dever.

Então, ao dares conta do ocorrido
Estavas de novo em tuas moradas
Tal como houveras prometido,

Criança, ao escolher estes dois ninhos
Nos recém-descobertos buraquinhos
Pra serem lar de nossas almas exiladas...*

15/01/2007

Nota da editora:

* Esta foi última vez que Alma esteve com Rôdo. Entre duas almas ardentes e tão simbióticas o incesto fora inevitável desde a infância, apezar dos esforços da Mutti para separá-los. Quanto a mim, sempre os compreendi e protegi como pude.
Eles foram feitos um para o outro, e seu amor, paixão mesmo, era tão grande que ninguém tinha o direito de intervir. Cheguei a pensar que Rôdo não sobreviveria à morte da Alma...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Sonetos da Infância da Alma (de Alma Welt)

(Como todos os ciclos de sonetos da Alma, estes devem ser lidos em seqüência e na ordem correta de numeração, pois assim produzem uma estória inteira, como uma pequena saga interior da autora).

Prólogo

Manhã de esperança, mar rosado,
Línguas douradas no azul nascente;
Assim vejo o arrebol sobre o telhado
Do casarão pousado à minha frente.

Aqui nasci para o amor, embora
Tenha sido parida numa estrada
Tal como narrei em boa hora
No meio de uma saga inusitada.

Mas esta casa-grande na cidade
Que ainda resta na família endividada,
Contém o sótão onde tanto fui amada

Lembra, Rôdo, amantes irmãozinhos,
Como era nosso amor na tenra idade,
Quando ali brincávamos nuzinhos?


2
Bem cedo procurei o meu irmão
Na mansarda da casa, o seu quartinho,
Pois a Mutti percebera o temporão
Desejo do precoce casalzinho.

De noite eu fugia do meu quarto
Que dividia com a Lúcia e a Solange.
Curioso: esta memória não constrange,
Amo recordar, e não descarto

Os lances detalhados na memória
Transformando meu desejo na estória
Que passo a revelar, ali, leitor

E assim eu cantarei o meu amor
Para que o mundo perceba enfim a glória
Do amor entre crianças sem pudor.



3
Me lembro da noite em que levanto
E deixo o meu leito como sombra
Enrolada num lençol como num manto
Escapando de Solange, a minha “Solombra”

E da outra, minha irmã meio apagada,
Lúcia com seu rosto pura sarda,
Dirigindo-me à escadinha da mansarda
Para encontrar Rôdo, e ser amada.

Subindo no escuro o caracol
Da escada de ferro, desnudada,
(eu já deixara no sopé o meu lençol),

E atrás de um biombo mau chinês
Deitar com meu guri, emocionada,
Para conhecer o que Deus fez.


4
Ai, Rôdo, que doce, que emoção
Quando a primeira vez me desnudaste
E puseste em minha conchinha a tua mão,
Abrindo-a para olhar o seu contraste,

Rosada contra a alvura circundante
Do meu corpo e dos lençóis onde eu pousava,
Que entre minhas coxas já molhava
Com o mel que produzia nesse instante.

E então colocaste o teu pintinho
Na pequena fenda, assim, quentinho,
E a missão de amor foi consumada

Quando sobre mim ficaste ali,
Dentro da irmãzinha tão amada
Fazendo, por instinto, teu xixi.



5
As noites de beleza e maravilha
Que desfrutávamos na pequena toca!
Até hoje emoções em mim provoca
Levando as sensações à minha virilha

Onde coloco a mão, impressionada
Com a persistência da memória
Que volta a deixar-me assim molhada
Só de recordar aquela estória:

Duas crianças tão precoces em se amar,
Em nossa descoberta do prazer
Não pudemos todavia esconder

Por muito tempo a paixão e nossos ritos,
Apesar de eu já estar levando pitos
Da Mutti, que iria nos flagrar.


6
Depois de alguns meses, já na estância,
Quando descobrimos o pomar,
Fizemos o altar da nossa infância
No tronco onde gravei o nosso AR

Na macieira que eu iria retocar
Com Aline, minha amada paulistana
(vinte anos para um A acrescentar
produzindo a ARA grega ou romana

à qual associei o meu destino).
Ali foi que, assim apaixonados,
Fomos pegos num minuto muito fino

Em que deitados nus, após instantes
Em que tivéramos os fluidos partilhados
E estávamos felizes... exultantes.



7
Estávamos, eu e o irmãozinho
Nus e adormecidos sob a fronde,
Eu com minha mão em seu pintinho,
Ele com a mão tu sabes onde.

Foi quando fomos despertados
Por um grito lancinante de horror
E pelos cabelos agarrados,
Levantados do chão, em susto e dor.

E arrastados fomos no caminho
Em lágrimas de dor e humilhação,
Rôdo com a mão no passarinho,

Eu, obrigada a cobrir a minha concha,
Arrastada pelo pulso, meio troncha,
Servindo de galhofa pra peão.



8
Não mais poderíamos juntar-nos
No nosso pomar, ah! nunca mais!
A Mutti decidira separar-nos
Por considerar-nos “anormais”

Enviando meu irmão pr’um internato
De onde voltaria só nas férias
De dois em dois anos, de fato,
“para só pensar em coisas sérias”.

E eu seria vigiada desde então,
Embora isso mais desenvolvesse
Meu poderoso dom de sedução

Para aliciar, e conseguir
Algo que afinal me resolvesse
A questão crucial de prosseguir.


9
Agora, tanto tempo já passado,
Tudo em seu lugar foi colocado;
Tenho meu irmão e minha amada,
E minha mãe há muito foi deixada

Na colina em sua mais triste manhã,
Onde estão também Joachim e Frida
Meus avós alemães, e a pobre irmã
Solange que lhes era parecida.

E que tanto atormentou a minha vida
No entanto produzindo novo rumo
No destino desta Alma perseguida.

Mas saibam que isto tudo é o resumo
E tudo foi purgado no caminho:
A vinha, o pomar, a ARA e o vinho.



Epílogo

10
Ah! amado Pampa, meu destino!
Nestas pradarias morrerei
Depois do toque, ao longe, do meu sino
Aquele que, na certa escutarei

Naquela derradeira cavalgada
Pelo mar das coxilhas navegando,
O cabelo ao vento, em disparada,
A mão de Rôdo no meu seio palpitando.

O Vati, Aline, eu e a infância
De Hans e Christian, Patrícia e Pedrinho
Correndo juntos, comigo, no caminho...

E a herança da safra em vinho tinto
Transfigurando em Éden, que pressinto
A beleza final da minha estância!

20/06/2006

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

No quarto de Alma Welt ( pintura de Guilherme de Faria)


Embora esta pintura (óleo s/tela, 60X50cm ) tenha sido pintada pelo mestre em 1967, portanto Alma ainda nem tinha nascido, Guilherme a enviou a mim, hoje, pois considera que seria uma antevisão da Alma, que ele encontraria somente em 2001, quando a procurou no ateliê que ela montou em São Paulo(por apenas três anos), e descobriu sua literatura, que o deslumbrou, a ponto de considerá-la sua poetisa predileta entre todas da literatura mundial, que por sinal ele conhece bem. Além disso Guilherme a considera sua última e definitiva Musa, e fez dela inúmeros retratos em pintura, desenho e gravura, para os quais Alma posou. O sofrimento do mestre com a morte da Alma, quase o matou. Agora ele se dedica às suas edições ilustradas por ele, e a pintar de memória novos quadros de minha irmã, sempre despida, pois ele diz que Alma Welt era "a mulher mais bela do mundo", e "uma alma nua".

domingo, 5 de agosto de 2007

Declaração (de Alma Welt)

Vem, amor, e ergue a minha saia.
Verás que nada tenho sobre mim
Senão esta pele que desmaia
E o meu próprio cheiro de jasmim.

Ah! Tenho essa penugem descorada,
Natural, meio gringa, te garanto...
Mas, olha minha conchinha nacarada
Que quando está alegre é como pranto.

Vê: não caibo de amor na minha pele
E meu corpo clama em polvorosa,
Cada curva feliz em que se rele.

Então me toma e farta-te de mim,
Para que eu floreça como a rosa
Com que me comparaste em meu jardim!

21/12/2006

Oferenda (de Alma Welt)

Esta noite vou dar e receber
As dádivas do amor que mereci.
Sou bela, estou nua e antevi
Teus passos antes mesmo de te ver.

Coloco-me de bruços, não! de quatro,
Como outrora as nossas ancestrais,
Oferecendo a colina para o mastro
E a visão de delícias desiguais.

Se vieres por trás, é uma fenda,
Por cima um botão também rosado,
Mas garanto-te, não faço a encomenda:

Não precisas ser precipitado,
Por qualquer dos dois que começares,
Paciente aguardarei tu revezares.

12/12/2006

Debaixo da minha macieira (II ) (de Alma Welt)

Debaixo da minha macieira
Por sagrada que é, fui desnudada.
Podia ver a guria nua inteira
Pela primeira vez a gurizada.

O bandinho luxurioso me seguia
E foram-me rasgando o vestidinho;
A calcinha resistiu, mas sucumbia
Quando eu já cobria ali e meu peitinho.

Então, nua, de repente abri os braços
Já que estava em cacos minha viola
E já sentia eu os meus mormaços,

Pois pensando refrescar aquele ardor
Que a alma dos guris tão cedo assola,
Urinei-me perna abaixo sem pudor...

sábado, 4 de agosto de 2007

A corça no paiol (de Alma Welt)

Quando guria de apenas doze anos
Estando de férias na fazenda
De uma tia que agora virou lenda,
Dei por primeira vez meu pobre ânus,

Não propriamente dado, com certeza,
Pois me foi tomado mesmo à força
Num paiol onde se achava esta princesa
E onde fui encurralada como corça.

E me lembro só do pó ali dançando
(entre as tábuas a luz era ofuscante)
E de um ovo a clara lambuzando

Meu branco trazeirinho invadido
Por um mastro grosso e encardido,
Que não era certamente de um infante...

16/01/2006

Nota da editora

Estarrecida, já tinha tomado conhecimento deste episódio através do conto "As Férias da Infância da Alma", publicado nos Contos da Alma, de Alma Welt, pela Editora Palavras & Gestos em 2004. Alma teria sido estuprada aos doze anos numa outra fazenda muito longe daqui, por um homem adulto, que ela descreve como um primo distante, de olhos verdes, não sei se alegoricamente... (Lucia Welt)

Eu, de meu cão (de Alma Welt)

Uma tarde, saindo com meu cão
Senti forte apelo da bexiga
E como, pensei, um cão não liga,
Tratei de agachar-me e ali no chão

Fazer sobre a relva o meu xixi
Pois eu lera sobre as donzelas celtas
Que urinavam na charneca por ali
E creíam que as fazia esbeltas.

Mas eis que inusitado entra o cão
Na estória e também dentro de mim
Que não tivera, ai! nem tempo nem ação

Pois montou-me num tom peremptório
E fisgando-me co'aquele arpão carmim
Fez-me ver de quem era o território...

15/12/2006

A centauresa (de Alma Welt)


Quantas vezes saí pela cancela
A cavalgar a minha égua preferida
Que me amava por eu montar sem sela
E por sentir-me nua em seguida

Ao desvencilhar-me do vestido
Assim que atingia a pradaria
Para num percurso sem sentido
Estar ao léu, ao vento e à alegria.

Então, ao derrapar-me no local
Sob meu umbral deliqüescente,
Estacava, era hora de descer

Ou melhor, deitar e enlanguecer
Estendida no lombo paciente,
A estranha centauresa horizontal...

08/12/2006

Nota da editora:

A ilustração deste soneto, de autoria de Guilherme de Faria, foi feita originalmente para o poema "A Amazona" do ciclo de poemas "O Circo", escrito por Alma em 2002( vide O Circo, de Alma Welt, no Leia Livro). Ao rever agora o livreto lindamente ilustrado pelo mestre, com desenhos feitos a pincel e tinta nanquin, espantei-me com a coincidência de postura da Alma nas costas do cavalo, antevista pelo pintor, pois o poema do Circo não discreve esse curioso lance, que Alma realmente praticava: deitar-se de costas, sensualmente, no dorso de seu cavalo. Guilherme antecipou em desenho o que a Alma viria a narrar em soneto anos depois. Realmente, os artistas são videntes...

Os Segredos da Palha (de Alma Welt)

Quando no galpão eu me encontrava
Com o meu irmão ou minha prima,
Uma vez na palha ali de cima,
Eu podia vigiar quem adentrava.

Mas um dia, um deles cavalgando
A potranca que era a sua alma,
De repente percebi a mãe entrando
Pela grande porta e nada calma.

Então apertei meu visitante
Numa senha sutil, e não bastante,
Segurei-o confirmando a acolhida

E ficamos assim, ele bem rijo,
No melhor minuto da minha vida,
Em que fui palha, leito e esconderijo.

06/01/2007

Eros-parnasianismo (de Alma Welt)

Vem, irmão Adonis, sobre mim...
Como é doce sentir o teus cabelos,
E logo, estando nus, os teus pentelhos
Como o adejar de um querubim

Sobre o monte da divina Afrodite
Nascida das espumas de si própria,
Da concha nacarada em cornucópia
Que não de outros mares, acredite!

E quando penetrares nos umbrais
Assim que o nácar das barreiras rompas
Poderás, senão ouvir as minhas trompas,

Mas aquosos murmúrios indizíveis
Que aos comuns podem mesmo ser rizíveis
Mas que aos eleitos costumam ser fatais.

05/01/2007

Pesadelo de uma noite de verão (de Alma Welt)

Ninfa, por dois faunos me encontrei
Perseguida e esbaforida em fuga vã
Buscando a proteção do velho Pã
Que me acolheria e era o rei.

Mas eis que alcançada fui na entrada
Do seu labirinto onde aos gritos
Fui por dois priápicos cabritos
Empalada pela frente e retaguarda.

E foi debalde o choro e súplica
Pois por uma noite e uma manhã
Fui pasto, ou pior, uma rês pública

Porquanto masturbando o bode Pã,
Assistia como uma celebração,
Dionisos, e mais todo o panteão.

5/1/2007