segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ao espelho (de Alma Welt)

Se começo a perceber-me tão sozinha,
Recordando o meu Vati (ah! como dói),
Com perigo de sentir-me pobrezinha,
Então algo em mim me reconstrói.

É quando começo a desnudar-me
Arrancando-me a roupa com furor,
E passo a realmente olhar-me
E meu ego finalmente recompor.

E logo erotisada e aberta assim,
Eu vejo que guria ainda eu soube
Que meu corpo era o reflexo de mim.

E eis-me triunfante frente ao espelho
Na glória da beleza que me coube
Em alvura e detalhes de vermelho!

09/05/2004

domingo, 27 de julho de 2008

A Alma destas àguas (de Alma Welt)

A trilha que leva à minha cascata,
A cantar percorro todo dia,
Descalça, pois retiro a alpargata
Para sentir do solo a energia.

E logo vou a blusa retirando
Ou o vestido inteiro, se é o caso,
Depois a calcinha ali deixando
Na senda como rastro e ao acaso

De belas tramas um tanto obsoletas
Pois me dou à transparência destas àguas
(que nunca me escondi em vãs anáguas).

Depois saio brilhando, nada feia...
E mais: para atrair as borboletas,
Me agacho crua a urinar sobre a areia.

(sem data)

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Nota

Encantada, acabo de descobrir na arca da Alma este soneto lindo, ligeiramente erótico, que revela algo que eu mesma testemunhei algumas vezes: nua, Alma urinava na areia da prainha da cascata, e logo ali se fazia uma revoada de borboletas que apreciavam o sal ou a amônia onde pousavam numerosas, sugando, para encanto de minha bela irmã, que eu ficava olhando, admirando, como uma ninfa que ela realmente era. (Lucia Welt)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Palavras ao Vati (de Alma Welt)

Dá-me teu colo, Vati, estou carente,
A Mutti acaba de afastar-me.
Eu sei, ela me acha delinqüente,
Somente tu, ó Vati, sabe amar-me.

Ela diz que me espevito ao ver "um macho",
Tu ou Rôdo, dia e noite, e sem que
Jamais, ela diz, "sossegue o facho"
Mesmo servida a minha quota de rebenque.

Mas, pai, foste tu que me criaste
E me disseste pra ser sempre verdadeira,
Que minha pele já propunha esse contraste

Com, do falso a escura face, escondida,
E que jamais porias na coleira
O ser que iluminou a tua vida!


06/11/2006

terça-feira, 22 de julho de 2008

Lembranças do relho (de Alma Welt)

Vai, meu irmão, e abre a porta
Da cozinha pois estou muito molhada,
Minha calcinha está toda manchada
E se a Mutti vê, me deixa morta

De tanto me lanhar com aquele relho
Que eu mesma descobri na grande arca
E que é herança do nosso patriarca
Que o herdou de outro ainda mais velho.

Mas cá estou eu, de novo, a divagar...
Vai, Rôdo, pois, mas vai depressa
Que já começo sem querer a tiritar

E a troca que até me tenta um tanto
É, como tu, ir pela frente sem que meça,
Pois algo em mim anseia por meu pranto.


27/05/2006

A leitoinha (de Alma Welt)

Galdério, prepara a tua charrete
Que hoje não quero cavalgar.
Leva-me como quando eu tinha sete
E dormia no teu colo ao regressar

E nos braços me tomavas com candor
Ao salão me transportando sem eu ver,
Me punhas sobre a mesa por humor,
Dizendo: “Hoje leitoinha vamos ter!”

E eu já despertada mas fingindo
Não resistia e gargalhava afinal
Sem ousar abrir os olhos, sensual,

Pois sentia o teu olhar tão inocente
Percorrer meu pequeno corpo lindo
Que queria ser tomado docemente...

09/07/2006

Perdidos amores (de Alma Welt)




Perdidos amores vão clamando
Na solidão de minhas noites desoladas
Embora ricamente decoradas
Com as recordações e seu comando

Que me obriga a sangrar no meu colchão,
Pois eis como interpreto esse mistério
De viver um tal verão sem refrigério
Que alguns diriam só menstruação.

Então afundo os dedos dentro em mim
Para acalmar a ânsia e os ardores
De um desejo que parece não ter fim.

E logo em verdadeira apoteose
Sinto sangrar de mim os meus amores
Fazendo que em meus tristes dedos goze...


08/04/2006

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Vamos à cascata (de Alma Welt)

Vamos à cascata, meu irmão!
Ali poderás me ver pelada
Já que a Mutti vigia o casarão
E não nos permite quase nada.

Ontem um abraço separou-nos,
E por um beijo recebi uma tapona.
Ao observar os nossos sonos
Descobriu-me para olhar a minha cona,

E ao ver que estava assim molhada
Esperou o amanhecer pelo ensejo
De punir com o relho esta safada.

Ah! Meu Rôdo, ela não sabe
Que assim aumenta-me o desejo,
Que na pele desta Alma já não cabe...

26/04/2005

terça-feira, 8 de julho de 2008

Eros e Psiquê (de Alma Welt)

Quando de noite o coração dispara
E me ponho, ali, deliqüescente,
Levanto-me do leito, a fronte quente
E lá vou eu a tremer como uma vara,

Tateando no corredor escuro
Até aquela porta iluminada
Somente pela fresta ou encostada
Para que eu a empurre sem apuro.

Então o vejo como Eros no seu leito,
Belo e nu, se no verão, em abandono,
De lado, adormecido, e muito ao jeito.

E enquanto mija em mim como bebê,
Por trás conduzido em pleno sono,
Eu adormeço como a doce Psiquê...

(sem data)

domingo, 6 de julho de 2008

Desejo (de Alma Welt)

Em meio a noite desperto entre desejos
O peito arfante, a mão no seio trêmulo,
A outra ali em baixo, não por pejos,
Mas a conter em mim aquele êmulo

Que vibra no triângulo entre as coxas
Parecendo lembrar ter própria a vida
A me levar para além das minhas colchas
A outros maus lençóis, despercebida.

E quando dou por mim, estou metida
A grudar-me em seu traseiro, deslambida,
No leito do irmão no quarto ao lado.

E então desato a fonte, não da uretra
Enquanto ele se vira e me penetra
Entre suspiros e um gemido descarado!

08/04/2005