quarta-feira, 18 de julho de 2007

Sonetos Luxuriosos da Alma (II) ( de Alma Welt)

(Os ciclos de sonetos da Alma quando lidos em seqüência
e na ordem correta contam uma estória de amor (ou paixão) completa, com começo, meio e fim. Por isso aconselhamos os queridos leitores a assim fazê-lo para apreciarem essa curiosa característica da nossa poetisa,
embora os sonetos ao mesmo tempo tenham autonomia e possam ser lidos avulsamente. (nota da editora)


ALMA WELT

SONETOS LUXURIOSOS II


Prólogo

1
Belo Pampa meu, ó pradarias
Que viram o meu amor e o meu martírio,
Há quanto tempo assim amar não vias
Esta Alma branca como o lírio

De tuas margens do regato e da encosta
Das suaves curvas da coxilha
Onde Amor encontra e tanto gosta
As minhas belas curvas, que dedilha.

Aqui posso amar em plenitude
E ser, voltar a ser o ser pampiano
Que encontrava na montada a completude.

E corria como os ventos haraganos
Para afinal emborcar nua sobre o plano
Para sentir a chuva quente no meu ânus!



Spaccato
2
Aqui estou de volta ao casarão
Cercado do jardim da minha avó,
Além o pomar e o galpão
C’o palheiro que não mais me via só

Pois ali deitava com meu Rôdo
E rolávamos os dois em gargalhada
Até que o silencio se instalava,
Ouvindo-se somente: “Amor... te fodo...”

Então era colocada em posição
Que por certo não está no Kama-Sutra
Enquanto era degustada como fruta

Por instantes em completa exposição
Pra o meu irmão fruir o meu regato,
As pernas muito abertas... spaccato!



A Fonte

3
Vem meu amor, sou tua cadela,
Expondo-me inteira para ti.
Vê a minha concha como mela.
Agora olha a fonte, bem ali.

Assim de quatro, exposta, toda aberta
Sou tua, beija, chupa aqui,
Mete a tua língua assim experta
Titilando-me, molhada de xixi.

E agora estou pronta, tão melada
Que posso receber a tua vara
Sem que vá doer-me nada nada.

Então, amor, após tanto bombear,
Troca a doce, grossa bomba, de lugar,
E que ela não me seja nada avara.



Complacente
4
Amado meu, desce assim suave
Enquanto enlaço tuas ancas com as pernas.
Penetra-me profundo, sem o entrave
Do hímen que perdi junto às cisternas

Naquele dia em que fomos ao pomar
No poço buscar água para a horta...
Acabamos por na relva nos deitar
E disseste que porias só “na porta”.

“Portinha” tu disseste, na verdade,
Que tudo era pequeno em nossa idade,
Logo era “grutinha” e o teu, “bilau”;

E acabaste enfiando o “catatau”,
Alargando-me o hímen complacente,
Não rompendo-o, ah! tão insistente...



O chiclete

5
Ontem, amor meu, me colocaste
De bruços sobre a mesa da cozinha;
Abaixaste o meu jeans e a calcinha
Que ficaram nos joelhos como um traste.

E abrindo com os dedos, ocioso
Ficaste só assim, admirando
O panorama que disseste delicioso,
Em vez de ires logo penetrando.

E de súbito, então, estando eu tesa,
Juntando a tua saliva que abundava,
Cuspiste no botão, pra minha surpresa,

Mas logo enfiaste a ferramenta
Deslizando com um frescor de menta
Do chiclete que o meu amor mascava.



Orgia
6
Amado, por quê dividirias
Este corpo que é teu até morrer?
Tu sabes que aprecio fantasias
Mas temo o que possa acontecer...

Agora queres dar-me ao teu amigo
Para observares em detalhe,
Olhando-me por baixo até o umbigo
E entrando no momento que te calhe.

E assim, do jeito mesmo que eu previa
Eis que já me empala dupla espada,
Um na frente outro atrás (eu bem sabia!)

E embora me doa a retaguarda
Pelo gozo que a dupla bem retarda,
Como é proveitosa a nossa orgia!



O botão

7
Amo dar-me às raias da loucura,
Tu sabes, meu amor, meu parecer:
Persuadida estou de ser tão pura
Que a moral não pode me deter.

Nada pode destruir minha candura,
Por isso me penetre até o sangue
Aquele que aliar força à ternura
E que afunde em mim como num mangue.

Ah! ouvi-lo chafurdar com estalido,
Sair e penetrar o outro lado
Com o rico caldo já colhido

Saindo para olhar o resultado,
Deve saber apreciar esta visão,
E aurir, desabrochado, o meu botão.



Preâmbulo
8
Amigos, meus leitores, vou contar
O que nunca contei nos meus escritos:
Como puderam esta Alma violar
Sem que depois fossem proscritos,

Cinco jovens, grandes, fortes,
Cinco peões de uma estância
Vizinha, que eu vira em minha infância
E que agora ali estavam, por esportes,

Um rodeio, vacaria, que sei eu?
Desafios, montarias, laços, danças,
O que eu julgava inocente se perdeu,

E o cenário meu, das minhas andanças,
Colhendo sempre-vivas e outras flores
Foi o palco de horror, das minhas dores.



O estupro

9
Eu andava em volúpia, e longa saia
Indiana, eu diria... ah! tão fina!
Sem calcinha por sentir-me feminina
Em deixar que o mênstruo se esvaia

Escorrendo vermelho pelas pernas
(tão brancas, minhas pernas e meu pé,
Tingidos por meu sangue e os espermas
De cinco peões machos, seis até!)

Nem uma hora inteira os satisfaz
Meu corpo nu que desfrutaram devassando
Alternando-se em mim, na frente e atrás,

Até que eu estivesse tão repleta
E meus furos até regurgitando
O grosso caldo que era só a sua meta!



Desfecho

10
Puseram-me de quatro, eu bem me lembro,
Minha alva bunda admirando
Enquanto um enfiava o seu membro
Outros abriam-na olhando

Dois deles meus pulsos seguravam
Ordenhando minhas tetas com as mãos;
O sexto por baixo apreciava
O desempenho do pênis dos irmãos

Que alternavam furor, sofreguidão,
Por uma hora inteira, sem perdão,
Até que me vissem desmaiada.

Depois urinaram sobre mim
Na linda concha aberta, nacarada,
E meu ânus, que ornaram c’um jasmim...



Epílogo

11
Meus leitores, depois desta visão
Creio que fui longe demais
Na fantasia, causando confusão
Talvez, e misturando os canais.

Cultivando minha luxúria extrapolei
Ou atingi de Eros a verdade.
Na dor e humilhação experimentei
O verdadeiro erotismo e santidade.

Sim, porquê sei e aposto até
Que um real prazer ofereci
Ao contar tudo quanto padeci

E jamais saberão (eu tenho fé)
Se aquilo que contei-lhes sem querer,
Foi o fim ou o começo do prazer...

FIM

15/11/2005

2 comentários:

Marcos Barros disse...

Que prazer (e tesão) rever a nossa grande Alma aqui, neste blog tão requintado! Estes Sonetos Luxuriosos da Alma são obra de gênio e dão de dez naqueles de mesmo nome do Pietro Aretino ("Sonetti Lussuorisi"), que comparado com isso vira um reles pornógrafo do século XVI. Realmente La Welt tinha a coragem das grandes estrelas, e era sempre refinada, até na luxúria. Fãs como eu estão esperando sair o seu decantado romance "A Herança". Porque demoram tanto, ó desavisados editores?

Nuno Teirada disse...

UAU! Alma aqui se superou na luxúria. E o curioso é que pelo epílogo bastante ambíguo fica uma dúvida se esse estupro(por cinco peões!) sofrido pela Alma foi verdadeiro, real, acontecido mesmo, ou se foi uma fantasia erótica radical da grande poetisa. Essa Alma é incrivel!